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‘Ler ocupa nossa mente’, diz detento sobre projeto de leitura no Iapen

‘Ler ocupa nossa mente’, diz detento sobre projeto de leitura no Iapen
Remição pela Leitura tem proposta de ressocializar e ajudar mudar a realidade de até 30 detentos. Trabalho está em fase inicial.
Por: Jorge Abreu

 Foto: Netto Lacerda/Ascom Sejusp
Isaac Ferreira candidatou-se para participar do projeto Remição pela Leitura

Eça de Queiroz, José de Alencar e Maria José Dupré são alguns dos autores da literatura brasileira que compõem o acervo de livros do projeto “Remição pela Leitura”, em fase inicial no Instituto de Administração Penitenciário do Amapá (Iapen).

Isaac Ferreira, 30 anos, candidatou-se para ser um dos 30 detentos participantes do projeto e poderá reduzir a pena através da leitura. Para ele, a oportunidade ajuda na ressocialização e no crescimento pessoal.

“Fiquei sabendo do projeto e me interessei. Esse processo ajuda a sair mais rápido. Eu tinha o hábito da leitura lá fora, mas aqui me apeguei mais porque é uma das opções para ocupar a mente. Através da leitura a gente até inspira outros detentos”, disse.

Ferreira foi preso no dia 27 de julho de 2017. Com 12 anos de condenação ele poderá reduzir até 48 dias de pena por ano, caso leia o máximo de livros permitido nesse período, que é 12 títulos – um a cada 30 dias.

Remição pela Leitura é uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), através da Vara de Execução Penal (VEP), que conta com o apoio do Iapen, Ministério Público (MP) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Para cada obra lida o participante deve apresentar uma resenha. Todos os beneficiados, 20 homens e 10 mulheres, passarão por oficinas para atenderem à exigência da comissão avaliadora formada por educadores e juristas.

Orivan Martel de Jesus, 32 anos, trabalha no Centro de Ressocialização (Ceres) do Iapen, onde está instalada a biblioteca da penitenciária. Pai de cinco filhos, ele foi preso em 2017 e espera passar para o regime semiaberto em 2024, como uma nova pessoa na sociedade.

“Estamos aqui para pagar por nossos erros. Mas, muitas vezes, ficar sem fazer nada nos dá problemas psicológicos. Ler ocupa nossa mente e faz com que a gente pare de pensar besteiras. Não adianta entrar de uma forma e sair igual”, destacou.

Campanha de doação de livros

O acervo da biblioteca do Iapen tem mais de 2 mil títulos – metade é didático, usado na capacitação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

Por isso o Iapen desenvolve uma campanha de doação de obras literárias. O diretor-presidente do instituto, Lucivaldo Monteiro, reforça a importância da sociedade em colaborar com o trabalho de ressocialização dos apenados.

“O nome do projeto leva a crer que a remição é o principal objetivo. Mas nós queremos mostrar para a sociedade que através da leitura o preso pode adquirir conhecimento e a partir daí ajudá-lo a se preparar para o retorno ao convívio social”, enfatizou.

As doações de livros podem ser feitas no Instituto de Administração Penitenciária, na Rodovia Duca Serra, Km 7, no bairro Marabaixo 1, zona oeste de Macapá.

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 Créditos:Netto Lacerda/Ascom-Sejusp

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